
Por Felipe Giersztajn
Quem não sente um frio na barriga; um pulsar forte do coração, um suspiro exalado ou simplesmente solta um choro emocionado perante o Kotel Hamaariv (Muro das Lamentações)?
Por quê um conjunto de mármore, pedras e cimento de proporções mínimas pode provocar tanta comoção em turistas ou israelitas que se aproximam para ter seu momento de oração?
Para responder a estas e outras questões é necessário muito mais do que recorrer ao termo em enciclopédias, imagens da internet ou manchetes nos jornais, mas estar presente de corpo e alma ao coração de Jerusalém, centro da cidade velha em que o espírito religioso multiplica a fé das três principais civilizações de Israel: judeus, cristãos e muçulmanos.
Do ponto de vista histórico-religioso podemos afirmar que há lugares santos para os cristãos como a Cúpula do Rochedo e para os Muçulmanos como a mesquita de El-Akjsa, mas são as muralhas sagradas para os judeus que restaram da destruição do 1º e 2º templos por babilônios e romanos que explicam em boa parte o significado do local.
Mas quando se está de frente para o muro percebe-se a importância de cada fresta onde são colocados pedidos de ajuda, agradecimento ou mesmo um lamento,

na sacralidade de cada passo no solo abençoado e na possibilidade de desenhar-se mentalmente um filme da própria vida e da influência que ela carrega perante o paredão dos murmúrios.
Como já foi dito, o muro tem uma relevância única para o povo judeu já que metaforiza por um lado a sobrevivência deste, perseguido e combativo desde os primórdios de sua existência; por outro prova que mesmo significando muito para esta religião pode perfeitamente unir todos os povos, credos, etnias, etc, em um só ideal: a fé como substância da vida.
ps: esse texo foi escrito por um amigo nosso e decidimos dar um espacinho pra ele aqui. Afinal, ele esteve lá apurando os fatos!!